Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Nesta semana levei meu avô a um aniversário de um amigo que fez 82 anos. Como todo aponsentado do INSS com renda média em torno de R$ 1.300,00, a casa era humilde, mas suas coleções impressionavam. Li revistas que contavam a história do Rio de Janeiro do início do Século XX e me chamou atenção uma coleção bem bonita de chaveiros guardados em uma moldura. Quanta história para contar! E eu ouvindo tudo em silêncio para não atrapalhar o relato dos diversos fatos da vida que esses velhinhos sempre contam com muitos detalhes.

Detalhes...é de impressionar como lembram de tanta coisa. Chamou-me atenção a vivacidade de como contavam histórias que se correlacionam com instabilidades políticas que nosso país sofreu. Uma delas, foi o confisco da poupança realizado em 1990 pelo então presidente Collor.

É interessante notar que antes do confisco, a inflação galopava em torno de 6.821%, o que incentivava a quem tivesse dinheiro a se desfazer dele o mais rapidamente possível. Havia pessoas que recebiam e corriam direto para o supermercado comprando tudo que pudesse levar, essas eram as famosas “compras do mês”. Tinha gente que comprava “bens” como carros, telefones (sim, telefone, na época, era propriedade) e imóveis. “Os carros aumentavam de valor com o tempo”, disse o amigo do meu avô. A verdade era que o valor do dinheiro em espécie se corroía com o tempo. Quem pensava um pouco além, no futuro, guardava na poupança para que suas economias fossem corrigidas pelo menos pela inflação.

E a caderneta de poupança que era para ser a salvação, virou desgraça depois do confisco. A “canetada” do Collor “matou” muita gente e pegou muita gente de surpresa.

Naquela época, era mais difícil, tinha-se pouca informação, mas logo as pessoas que tiveram seus bens confiscados, perceberam que a caderneta de poupança não era bem uma posse delas. Que alguém, por algum fator externo, poderia colocar as mãos nela.

Em 2013, ocorreu o “Acordo do Chipre”. Correntistas de bancos do Chipre cujos depósitos estavam acima do valor segurado (acima de €100.000), bem como os compradores de títulos bancários tiveram que arcar com parte do custo do pacote de socorro aos bancos do país.

Esse tipo de modus operandi dos bancos, via reservas fracionárias, faz com que sempre se duvide de quem tem a posse do dinheiro. De quem é o dinheiro? Você consegue transferir uma quantia relativamente alta num dia / mês? E pra mandar seu BRL (Reais) pro exterior, me diga, você consegue fazer isso rapidamente e sem burocracia? Por que não? O dinheiro não é seu? Você deveria ser livre para manuseá-lo da maneira que quisesse. Mas não é bem assim que funciona…

Em 28 de junho de 2015, na Grécia, houve outra tragédia, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou a imposição de um controle de capital com duras restrições para sacar dinheiro dos bancos. Na época, o limite de saque ficou em 200 euros.

Em novembro de 2016, foi a vez da Índia tirar as notas de 500 (U$ 7,50) e 1.000 rúpias (U$ 15) de circulação para “combater a corrupção”. Causou um caos na época, justamente por ter sido implantado da noite pro dia. Vale lembrar que essas duas cédulas abolidas representavam quase 80% de todo o dinheiro vivo em circulação. Isso, na prática, não é um confisco?

Agora em 2017, os confiscos continuam. Saiu reportagem hoje, que como parte do plano de austeridade Grego, qualquer ativo cuja origem ou financiamento não possam ser explicados será confiscado pelo governo. Na prática é um confisco em massa de depósitos bancários, títulos, casas, entre outros. O estado Grego é um dos maiores devedores da União Européia e não me admira que todo esse movimento tenha correlação com o pagamento de sua alta dívida.

Todos esses confiscos não recebem este nome e sempre vão noticiar que é “para um bem maior”, que “vai melhorar a vida dos cidadãos”, mas, na prática, sempre é uma afronta a propriedade e aos bens de cada indivíduo.

Sob este ponto de vista, o Bitcoin, é um ativo defensivo para toda e qualquer instabilidade política de atentado a seus bens e sua propriedade. Isso ocorre porque possui uma tecnologia de criptografia assimétrica em suas transações, ou seja, é definida como uma cadeia de assinaturas digitais e o protocolo de comunicação utilizado possui intrinsecamente ao menos três chaves criptográficas caracterizadas como o endereço da carteira(conta) remetente (chave pública), o endereço do remetente (chave privada e secreta, assinatura) e o endereço da carteira destino (chave pública). A rede verifica a assinatura usando uma chave privada e, caso a chave privada se perca, a rede bitcoin não reconhece a propriedade e as bitcoins vinculadas ao endereço serão perdidas. Segundo Fernando Ulrich:

Todas as transações que ocorrem na economia Bitcoin são registradas em uma espécie de livro-razão público e distribuído chamado de blockchain (corrente de blocos, ou simplesmente um registro público de transações), o que nada mais é do que um grande banco de dados público, contendo o histórico de todas as transações realizadas. Novas transações são verificadas contra o blockchain de modo a assegurar que os mesmos bitcoins não tenham sido previamente gastos, eliminando assim o problema do gasto duplo. A rede global peer-to-peer, composta de milhares de usuários, torna-se o próprio intermediário. (ULRICH, 2014, p.18).”

Se você e apenas você tiver as chaves privadas da sua carteira (wallet) ninguém vai te tomar seus Bitcoins. E, agora, seguindo a mesma lógica do que venho falando neste artigo, o Bitcoin é seu? A resposta é, se você é dono das chaves privadas de sua carteira, sim, o Bitcoin é seu e ninguém pode confiscá-lo. O Bitcoin é seu e você pode circular com ele para onde quiser, inclusive transpor as barreiras, fronteiras de países. O que é seu precisa ser livre e o Bitcoin é muito claro nesse aspecto. “Seus Bitcoins, suas regras”. A cotação do Bitcoin pode variar, mas aqueles Bitcoins sempre serão de quem for o portador das chaves privadas da Wallet.

Sem dúvida, o amigo de meu avô, de 82 anos, levou anos para saber o que de fato era seu, e, com certeza, sentiu na pele que a poupança não era. No entanto, esta bela moldura com chaveiros colecionáveis, da foto, isto sim é um bem que provavelmente durará por gerações.

Pros mais jovens, fica a dica para os que pensam como eu, faça de suas chaves privadas, uma moldura, e tenha alguma reserva em Bitcoins como seu porto seguro.

Essa é a maneira que vejo de “colecionar” chaveiros em molduras.

Artigos relacionados:

1. O blockchain é uma revolução que mudará o século XXI
2. Bitcoins enviados, confirmados mas que nunca chegam ao destinatário
3. #UASF e #BIP148 - O que são?
4. Movimento regulatório do Bitcoin no Brasil é uma ameaça ao seu uso
5. O que esperar do Bitcoin para 2017? Um pouco sobre SegWit, Blocksize, Libsecp256K1, BIPs 68 & 112, IBLT's e Bitcoin em Camadas (Layers)

Grande Abraço,
Wendel da Rocha.

(Atenção, este artigo expressa apenas a opinião do autor, não representa indicação de investimento)