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Acabo de terminar de ler o livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” de Olavo de Carvalho. Olavo de Carvalho, está “na moda” ultimamente por conta do filme lançado entitulado “O jardim das Aflições” e por conta da crise que o país atravessa após de mais de 12 anos de políticas populistas / socialistas.

Embora, seja eu um liberal / libertário e ele um conservador, impressiona a taxa de acertos que o mesmo faz em seus textos que, se não tivessem data, poderiam alguns serem facilmente publicados novamente este ano sem nenhum dano perceptível quanto a temporalidade. O futuro chega e não há uma análise que não sofra condenação pelo próprio tempo. Olavo de Carvalho com seus textos radicais para a época, muitos de 10 anos atrás, saiu fortalecido por expor uma verdade dolorosa, que poderia, a princípio, parecer teoria da conspiração, mas que revelações da própria operação Lava Jato, acabaram por classificar como sérios e corajosos de serem publicados.

A quantidade de temas expostos ao longo do livro impressiona, e claro, como são exposições mínimas, várias outras referências são indicadas ao longo do livro para um melhor aprofundamento, que, mesmo assim, consegue ter quase 600 páginas. Alguns textos me eram familiares, no entanto, há um tema chamado espiral do silêncio que desconhecia.

Na verdade, o tema espiral do silêncio no Brasil está com quase 40 anos de atraso, uma vez que não há publicações em português sobre o assunto, apenas em Inglês, Alemão e algumas poucas em Espanhol.

Preocupada com os efeitos que levaram do eleitorado a mudança na reta final das eleições de 1965 e 1972, na Alemanha, Elisabeth Noelle-Neumann decidiu estudar o que, de fato, ocorria. Então, ela descobriu que um fator importante para a mudança ter ocorrido é o Clima de Opinião.

Elisabeth Noelle-Neumann descobriu que quando um lado é superestimado, outras pessoas, decididas ou não, são influenciado a seguir por ele. Consequentemente, quando o outro é subestimado, as pessoas tendem a afastar-se deste.

Neste modelo de opinião pública, a ideia central é que os indivíduos omitem sua opinião quando conflitantes com a opinião dominante devido ao medo do isolamento, da crítica, ou da zombaria. Os agentes sociais analisam o ambiente ao seu redor, e ao identificar que pertencem à minoria, preferem se resguardar para evitar impasses. Esse comportamento gera uma tendência progressiva ao silêncio denominado espiral, visto que ao não expôr essa ideia, o indivíduo automaticamente compactua com a maioria, assim, outras pessoas que compartilham dessa opinião também não a verbalizam. Quanto menor o grupo que assume abertamente a opinião divergente, maior o ônus social em expressá-la.” (Fonte: Wikipédia)

A esquerda e a mídia mundial esquerdista tem usado a espiral do silêncio nos últimos anos como uma espécie de aliança com a ideia do “politicamente correto”. Quem haveria de ser contra o politicamente correto? É tendência se esquivar de temas polêmicos como a própria Elisabeth Noelle-Neumann notou dado que a maioria das pessoas dota de uma espécie de medo ao isolamento e a marginalização por ter uma opinião contrária ao mainstream. As pessoas evitam falar abertamente sobre aborto, legalização do casamento gay, legalização das drogas, legalização de armas, privatização com medo de serem chamadas de preconceituosas, drogadas, “filhos do demônio”, patrocinadores da morte, apoiadores da indústria bélica, anti-nacionalistas e muitas outras coisas que dependam do tema em específico. Então, para cada um desses temas, é feita uma campanha, um consenso entre formadores de opinião. Durante aquele período “Bombam”, “Chovem” reportagens, protestos, campanhas tendenciosas contra ou favor. E tudo do bem se não for verdade, ou se estão mentindo ou se na tem nenhuma correlação com os fatos ou com a realidade. Na verdade, a espiral do silêncio não tem haver com a busca da verdade ou explicação de causas, muitas vezes, fatos são distorcidos ou manipulados para que se encaixem numa história bonita, que pareça com a verdade, tudo numa tentativa de transformar uma opinião dominante num gatilho em que as pessoas se sintam mal e não se sintam confortáveis em ser contra uma opinião dominante ou não tenham / busquem opinião formada sobre o assunto. Quem propaga a espiral do silêncio evita de todo modo a discussão sobre o assunto. Fazendo um jogo de impressões que com o tempo acabam se tornando verdade absoluta, porque todos a propagam. Predominando, assim, mais silêncio, se tornando uma espiral. Fazendo da opinião dominante parecer ser verdadeira. Uma espécie de censura branca, no início, que se transforma numa verdade irrefutável anos depois.

Olavo de Carvalho dá um exemplo de espiral do silêncio neste vídeo:

Eu mesmo vivenciei uma história na época do regime militar… De que dois terroristas teriam sido mortos num acidente de automóvel… As forças armadas divulgaram foto do carro, do local do acidente… Então um repórter da globo descobriu um soldado que disse que participou da operação e que não foi nada disso. Os terroristas foram presos, abatidos a tiros dentro de um quartel das forças armadas e depois o exército montou um simulacro de acidente para se inocentar… O depoimento do soldado foi transmitido na globo durante uma semana em programas especiais. Quando ouvi essa história, eu achei muito estranho porque o que me chamou atenção foi o seguinte: na foto que foi divulgada você via claramente as fotos do pneu, as marcas de frenagem no chão. Eu pensei. Se os terroristas foram postos no carro depois que estavam mortos, como eles poderiam frenar o carro para não bater? Morto não pisa no freio. Fui averiguar. Pedi para um colega do exército passar a folha de anotações daquele soldado, a carreira do soldado. Descobri que aquele soldado havia desertado seis meses antes daquela operação. Então ele não poderia estar lá de jeito nenhum. Em terceiro lugar, a globo forneceu uma data em que teria acontecido o assassinato dos dois no quartel do exército e descobri num livro de memórias do Jacob Gorender, um famoso líder comunista, que os terroristas haviam participado de um assalto a banco pelo menos duas semanas depois da data em que, segundo o repórter do globo, eles estariam mortos...consegui autorização do jornal o globo para publicar que tal reportagem era falha, segundo minhas três linhas de investigação...apesar da reportagem ser evidentemente falsa, ela ganhou dois prêmios jornalísticos, o que mostra a solidariedade da classe jornalística com este tipo de operação. É impossível que esse pessoal todo não pudesse ter lido meu artigo no o globo que saiu com bastante destaque. E, apesar disso, não discutiram, não falaram, não contestaram, simplesmente deram um prêmio. É assim que se monta a espiral do silêncio. Você precisa ter uma classe jornalística firmemente aliadas com determinado propósito.” (Olavo de Carvalho)

Christian Perosa,autor do livro "A transformação social", dá um exemplo de espiral do silêncio neste vídeo:

Inicialmente não tem muito a ver com manipulação governamental ou midiática, isso é um segundo nível da espiral do silêncio... Inicialmente é uma coerção opinativa que ocorre naturalmente na sociedade. Então, por exemplo, quando surgiu o tema do aborto, os ativistas aproveitaram uma época que existia uma espiral do silêncio sobre o aborto. Todo mundo era contra o aborto, então, não se falava nesse assunto. Quem era a favor do aborto não falava, porque iria ser isolado socialmente. A pessoa ficava com medo de não falar isso e não falava… Então a militância pró-aborto tentou romper o tabú...tentando quebrar a espiral do silêncio.” (Christian Perosa)

Em 1980 as eleições presidenciais nos Estados Unidos pareciam muito perto de um desfecho. Pesquisas reportavam que o Presidente Jimmy Carter e seu concorrente Ronald Reagan estavam empatados tecnicamente após 2 meses de campanha. Mas, de acordo com Elisabeth Noelle-Neumann, proferroa de comunicação e pesquisadora da universidade de Mainz na Alemanha, a maioria dos entrevistadores fez a pergunta errada. Ao invés de perguntar, “ Em quem você pretende votar?” eles deveriam perguntar “Quem você acha que vai ganhar a eleição?”
Os entrevistadores teriam descoberto que mesmo estando a preferência de voto empatado, a expectativa que Reagan ganharia estava crescendo semana a semana.
Noelle-Neumann afirma que a avaliação das pessoas do clima político, especialmente suas previsões de tendência futura, são pequenos e confiáveis indicadores do que irá acontecer em uma eleição. No caso de Carter elas estavam certas. Na noite antes da votação, o entrevistador democrata Pat Caddell foi ao presidente e tristemente anunciou que a eleição acabou. Milhões de votantes compareceram no último minuto e votaram em Reagan. O verdadeiro voto no dia seguinte enterrou Carter.
A teoria da espiral do silêncio de Noelle-Neumann é uma teoria que explica o crescimento e a propagação da opinião pública. Como fundadora e diretora do “Public Opinion Research Center” em Allensbach, ela trouxe o reconhecimento do poder da opinião pública. Assim como John Locke, filósofo no século 17, ela reconhece a opinião pública como uma força tangível que mantém as pessoas em linha. Locke esboça três formas de lei: A divina, a civil e a opinião. Ele afirmava que a lei da opinião é a única lei que as pessoas realmente respeitam. Para o preenchimento de qualquer questão moral fortemente controversa, Noelle-Neumann define a opinião pública como uma atitude que expressa sem titubear o medo do isolamento em si mesma.
O termo espiral do silêncio refere-se a crescente pressão que as pessoas sentem para ocultar suas opiniões quando pensam que estão em minoria. Noelle-Neumann acredita que a televisão acelera a espiral, mas para compreender o papel dos meios de comunicação de massa no processo, primeiro devemos entender a extraordinária sensibilidade das pessoas a constante mudança de padrões que a sociedade tolerará.“ (Em. Griffin)


E como neutralizar a espiral do silêncio?

Segundo Olavo de Carvalho, a maneira de combatê-la é sempre denunciá-la constantemente. Ameaçar diretamente a credibilidade do meio propagador da espiral do silêncio. Quando tentarem te ameaçar, te acusar, não tente se explicar, se defender, devolva uma acusação pior. “Quem se desculpa, se acusa”. Não tente se explicar, eles não querem isso. A intenção da espiral do silêncio é manchar a imagem, distorcer fatos, entre outras coisas bem piores. Acuse-os de fatos bem piores e, acima de tudo, verdadeiros. Afinal, quem está disposto a propagar fatos distorcidos, tendenciosos geralmente não é um pessoa íntegra, de conduta moral ilibada. Devolva sempre uma acusação verdadeira piorada. Informe-se.

Um cara que sabe como fazer isso (não sei se conscientemente), é o Otário Annonymous do Canal do Otário. Veja o vídeo abaixo:

Parece que o Otário Anonymous fez a lição de casa.

Bibliografia:

https://www.youtube.com/watch?v=O8YQKmUe-s8
https://www.youtube.com/watch?v=rAkmfnuir5I
http://www.afirstlook.com/docs/spiral.pdf
http://noelle-neumann.de/scientific-work/spiral-of-silence/